Richarlison, Gabriel Jesus e Matheus Cunha competem pela cobiçada posição de principal atacante da seleção brasileira.

Ao longo da história, diversos jogadores usaram a camisa 9 da seleção, mas nem todos alcançaram o sucesso esperado, independentemente de seu talento.
O ex-atacante França, quinto maior artilheiro da história do São Paulo com 182 gols, teve a oportunidade de representar o Brasil em uma era repleta de artilheiros talentosos, mas não conseguiu repetir seu sucesso no Morumbi. Mais de 20 anos depois, ele admite que a culpa foi exclusivamente sua.
“Eu não posso reclamar. Tenho consciência de que fiz um trabalho incrível no São Paulo, mas não fiz um trabalho muito bom na seleção. E também tenho consciência que não é culpa de ninguém. Recebi minha chance da seleção e fui incompetente, vamos dizer assim. Na seleção você tem pouca chance dentro da área para fazer um gol. No clube você tem mais. Por isso que na seleção é bem mais difícil”, França, em entrevista exclusiva ao ESPN.
França ganhou a confiança de Vanderlei Luxemburgo após alguns amistosos e foi titular em três jogos das eliminatórias. Depois, perdeu espaço para Elber, Guilherme, Luizão, Amoroso e, claro, Romário. Em 2002, voltou a lutar por uma vaga na Copa, mas uma lesão às vésperas da convocação e após isso não retornou à seleção.
“Aquela [derrota do São Paulo para o Corinthians na Copa do Brasil de 2002] foi uma noite terrível para mim, porque eu tive a chance de fazer o gol no Dida de pênalti e errei. Depois, teve uma bola enfiada para mim que eu estiquei demais [a perna], não consegui alcançar a bola e tive um estiramento muito grave. Lembro muito bem dessa cena. Fiquei deitado no chão, o Dida foi o primeiro que chegou perto de mim e eu falei assim: Dida, acabou a Copa do Mundo para mim. Eu tinha certeza que ia. O médico da seleção ligou para o médico do São Paulo para ver como eu estava e isso é um sinal maior”.
Jogadores da atual geração têm mais chances
França acredita que a geração atual de centroavantes tem mais oportunidades de se firmar na seleção brasileira do que ele teve devido à concorrência intensa em seu tempo.
“No meu caso eu tive algumas partidas de titular, contra o Peru, contra a Colômbia no Morumbi. Tive a chance de carimbar o passaporte de vez. Se eu tivesse feito todos os gols nas eliminatórias, com certeza eu ia ficando, porque treinador não tira o atacante que faz gol. Tanto é que quando aconteceu com a Inglaterra, eu fiz o gol, aquilo ali garantiu minha convocação já para os próximos jogos.”
“Por isso a diferença. A geração de hoje tem mais tempo. Tem jogador que fica com a 9 durante anos, não faz gol e ele fica lá com a 9. Na minha época, não. Você tem dois jogos ou um jogo pra fazer. Sai, já entra outro, porque tem muita qualidade”.
Comportamento na Seleção e no São Paulo
“Acho que deveria me soltar mais, ter mais um pouco mais de personalidade, não de jogar, mas de conquistar do zero o respeito que eu tinha no São Paulo. Porque, no São Paulo, quando eu vinha no vestiário, já dava para ver a alegria dos meus parceiros. ‘Pô, chegou o homem que vai dar o bicho para a gente’. Eu queria ser chamado assim na seleção como Romário era, como o Ronaldo era. Mas para isso você tem que fazer gol para caramba para ganhar esse respeito. Então, se eu tivesse a chance de jogar bastante jogos, assim como o Richarlison tem, o Gabriel Jesus teve, eu com certeza conseguiria esse espaço”.