A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, falou pela primeira vez sobre os insultos de Carlos Belmonte, diretor de futebol de São Paulo, direcionados ao técnico Abel Ferreira. O episódio aconteceu no último domingo, após empate por 1 a 1 no Choque-Rei, no Morumbis. Em entrevista concedida ao ge, a mandatária classificou a situação como um “ataque histérico” e disse que espera por desculpas públicas do presidente rival, Julio Casares.
“Futebol é entretenimento, uma atividade familiar. Tem que começar por nós coibir esse tipo criminoso de rivalidade. Como se coíbe? Respeitando o seu adversário, não dando esse ataque histérico que o São Paulo deu. O dirigente que fala uma coisa e age de outra forma. Você fica bem com a torcida conquistando títulos, pagando as contas em dia, tendo atletas respeitando porque honra os compromissos. Não existe mais no século 21, não cabe mais os cartolas do passado que gritavam, batiam na mesa. Isso não existe mais”, disse.
“No fundo eu acho que tudo é despeito, inveja do trabalho ímpar do Abel aqui no Brasil, um técnico extremamente vencedor. Tenho orgulho imenso, poder contar com o Abel por tanto tempo, vou ser candidata à reeleição e se for reeleita meu trabalho vai ser manter o Abel até o último dia do meu mandato. Está totalmente adaptado ao Brasil, tem ligação muito forte conosco. Atacar gratuitamente um treinador… Se eles acham que o Abel está procedendo de uma forma que acham que não seja correta com relação à arbitragem, quem tem que dizer isso é a arbitragem, não um diretor de futebol”, seguiu.
Na segunda-feira, o Palmeiras emitiu uma nota repudiando as falas xenófobas de Carlos Belmonte contra o técnico do rival e informou que estuda as medidas legais cabíveis contra o diretor. O assunto também foi comentado pela presidente Leila Pereira em seu primeiro pronunciamento após o polêmico clássico.
“Vi o vídeo horrível do senhor Carlos Belmonte xingando o nosso treinador e acho que tudo na vida a gente tem que refletir primeiro antes de falar. Por isso que estou aqui hoje, com a cabeça fria, dizendo que espero que as autoridades tenham uma atitude exemplar, punindo o Belmonte para que isso não aconteça novamente. Vou conversar com meus advogados que eu gostaria até que ele não fosse mais no Allianz. É uma persona non grata nos nossos ambientes. Temos que coibir essa violência insana, e nós como dirigentes temos que ser os primeiros a levantar essa bandeira”, disse a dirigente.
Chateada com o presidente são-paulino Julio Casares, com quem mantinha boa relação, Leila Pereira está à espera de uma retratação. “Eu não tenho que procurar ele. Ele quem tem que me procurar, eu fui desrespeitada na casa dele. Ele teria que me procurar e ainda pedir desculpas públicas. Quero desculpas públicas e o comprometimento de que isso não vai acontecer mais”, declarou.
OUTRO LADO
Por meio de comunicado enviado pelo São Paulo, Julio Casares garantiu que “Carlos Belmonte não é xenófobo” e explicou que o diretor “usou a nacionalidade do treinador como forma de identificação, e não qualificação”.
O presidente do São Paulo ainda fez alusão a Abel Ferreira ao escrever que repudia “quem maltrata jornalista retirando seu instrumento de trabalho das mãos, quem chuta microfone, quem peita jogador do time adversário mesmo não sendo atleta”.
Casares relatou também já ter tido diversos incidentes com profissionais do São Paulo no Allianz Parque. “Não podemos viver como dirigentes do passado, mas não podemos deixar de ter o amor por nosso time do coração”, escreveu.
