Antes de fechar com o Bahia, o Grupo City fez uma série de reuniões com clubes interessados em se transformar em uma SAF (Sociedade Anônima de Futebol).

Vários times foram analisados. O Atlético-MG, por exemplo, foi descartado logo de cara. O São Paulo, por sua vez, chegou a ser olhado com mais atenção e passou dos primeiros encontros, mas foi descartado posteriormente por alguns motivos que o blog explica a seguir.
O primeiro fica na parte econômica. Os gringos estavam dispostos a investir algo em torno de R$ 1 bilhão no período de 15 anos. Antes mesmo de abrir papo com o São Paulo, eles reconheceram que esse valor não seria o suficiente para comprar os 90% do time do Morumbi que acabaram fechando pela equipe de Salvador. Na Fonte Nova, essa quantia vai ser dividida em R$ 500 milhões em compra de jogadores, R$ 300 milhões para dívidas e R$ 200 milhões que seriam distribuídos de várias formas.
Hoje em dia, a dívida do São Paulo é mais do que o dobro dessa quantia. No último balanço, o clube registrou débitos de R$ 642 milhões. Outra incompatibilidade ainda estava na folha salarial. A promessa no Bahia é que o investimento anual com vencimentos dos jogadores ficaria na média de R$ 120 milhões, ou seja, R$ 10 milhões por mês. Para os baianos, isso representa um salto considerável, enquanto no Morumbi isso não seria o suficiente na comparação com os dias de hoje.
Além disso, a análise preliminar do Grupo City era que haveria dificuldades políticas para transformar o São Paulo em uma SAF. A estrutura do clube hoje em dia com conselheiros com muito poder dificilmente seria desfeita. Em um clube que é adquirido, os que hoje estão no poder ficam totalmente escanteados. No Bahia, o presidente Guilherme Bellintani terá cada vez menos voz e isso precisaria acontecer no Morumbi com nomes como Júlio Casares e Carlos Belmonte, sem contar com outros diretores que não poderiam mais palpitar no futebol.
O artigo 145 do Estatuto do São Paulo determina que para que haja uma alteração deste tipo primeiro tem de ser protocolado um requerimento no Conselho Deliberativo. O requerimento pode ser proposto por 1/5 (um quinto) dos associados com direito a voto, o que significa 50 integrantes, ou pelo presidente da diretoria (neste caso, Julio Casares) ou ou pelo presidente do Conselho Deliberativo (Olten Ayres de Abreu Júnior).
Após isso, a sugestão de mudança estatutária deverá ser encaminhada para apreciação da Comissão Legislativa do Conselho Deliberativo, que deverá emitir parecer em até 30 (trinta) dias sobre a conveniência e legalidade da proposta.
Só então o presidente do Conselho Deliberativo convocará reunião extraordinária para discutir e votar a proposta, que será aprovada se receber voto favorável da metade mais um dos membros do Conselho Deliberativo. Na hipótese de ser aprovada, o presidente do Conselho Deliberativo terá prazo de até 30 dias para convocar Assembleia Geral Extraordinária para deliberar sobre a proposta de alteração aprovada no Conselho Deliberativo, observado, nesse caso, o quórum para aprovação da maioria simples dos associados do SPFC, com direito a voto.
Mesmo antes de abrir para uma consulta mais profunda, o Grupo City entendeu que teria resistência interna e que a operação poderia demorar muito mais do que o período que era considerado o máximo por eles. Recentemente, o São Paulo inclusive aprovou a mudança de estatuto para permitir a reeleição.
Por fim, não havia consenso sobre quais propriedades entrariam para a SAF. O São Paulo tem Morumbi, o CT da Barra Funda e também o de Cotia e pretende manter o controle desses ativos. A opção seria colocar no contrato contratos de patrocínio e de direitos de transmissão, mais as receitas com vendas de jogadores e direitos econômicos dos atletas revelados nas categorias de base do clube.
Atualmente, o Tricolor mantém uma parceria com o City para empréstimo de alguns jogadores, como no caso de Nahuel Bustos. Em março deste ano, o clube contratou a Alvarez & Marsal. A empresa, especializada em gestão e reestruturação empresarial, elabora um estudo para saber quanto vale a sua marca. O documento deve ficar pronto até o fim deste ano. Mas isso não significa que haverá a transformação em SAF. Em princípio, o clube do Morumbi quer saber quanto valem seus ativos.
UOL Esportes