Após treino aberto do São Paulo no Morumbi, o técnico concedeu entrevista coletiva

A proposta do São Paulo para o jogo
– Uma das poucas coisas que não posso falar é sobre o jogo. De resto, falo com o maior prazer. Hoje a gente está aqui, veio treinar a pedido da direção, da torcida, pelo simples fato de que a média de público do São Paulo foi excepcional. Prefiro treino fechado. Fizemos treino objetivo, de uma hora hoje, mas mais em retribuição ao apoio do torcedor. Não teremos a presença da torcida, é importante levar calor e impressão do torcedor.
Como jogadores recebem energia da torcida
– Não é que não gosto. É que no treinamento fechado você tem condições de falar mais próximo, o jogador te ouve mais. Definimos antes de começar o trabalho, no vestiário, que já saísse pré-aquecido. É importante pro atleta sentir a presença de espírito do torcedor, que não vai estar presente no jogo, mas que eles levem essa imagem de que são a esperança de muita gente, de continuar fazendo o que fizeram ao longo do campeonato. Ontem trabalhamos mais forte, hoje diminuímos a carga, era um treino possível de fazer com público hoje.
Viver dias decisivos no São Paulo é diferente
– Pra mim, viver aqui já é especial. Viver do futebol, é o que escolhi da minha vida, resolvi viver a carreira perto do futebol, trabalhar a céu aberto, todo dia com sol, chuva. Fui bancário durante quatro anos, com teto fechado. Esses dias sempre são especiais. O Paulista tem 25% dos times da série A, as semifinais do Paulista envolvem três times da Libertadores e um da Sul-Americana. Três dos sete primeiros colocados do ano passado. E tem um clássico contra um grande rival, um dos três melhores time do país, campeão da Libertadores, tudo isso agrega importância.
Como é diferente ser campeão pelo São Paulo
–Se acontecer, se conseguir, vai ser muito especial. Seria uma outra carreira, outra função, num clube que trabalhei 25 anos. Uma pena que tem o Palmeiras pela frente ainda, no mínimo 90 minutos pra enfrentar outra equipe. É uma realização na minha carreira, com quase 30 anos de carreira, seria uma realização para mim. Mas ainda há uma longa caminhada, pela qualidade do time do Palmeiras, no estádio deles, com a torcida. Sei o quanto será difícil focar no jogo, Deus queira que aconteça.
Mudanças depois do desabafo
– Foi uma fala muito espontânea, num jogo que fizemos um resultado no último minuto. Foi muito espontânea, a verdade é importante de ser esclarecida. Só quer a melhora do clube quem gosta, vive, que tem uma história dentro do clube. Sempre as falas são no sentido de que o time evolua, se modernize. Foi uma fala do momento, não adianta contextualizar, o momento já passou. Devem chegar novos aparelhos para musculação. Hoje trabalhamos em três períodos. Não pela minha fala, mas é que é assim que tem que ser. Se quer sucesso, tem que trabalhar por ele. Espero que o São Paulo continue melhorando.
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A caminhada do São Paulo no Paulista
O início do campeonato, pra mim, é muito claro. Curto tempo de pré-temporada aliado a vários casos de Covid, o que parece que não, mas o cara ficar oito dias em casa de uma pré-temporada de 15 dias, tem interferência direta. O fato de jogadores estarem chegando, não ter uma exata noção do esquema de jogo. Houve melhora física, acho que todos concordam. Um time que compete mais, em alguns casos precisem elevar essa melhora física. Acho que a competitividade colocada em campo é importante. É fácil dizer que cada um executa funções em campo e estará apto amanhã para fazer. Acho que as vitórias trazem confiança, alegria, bom ambiente, não tem problema com ninguém. Acho que o time chega bem muito pelo crescimento físico, entendimento de que se faz necessário competir até o fim e também pela proximidade da torcida, que abraçou o time nos momentos difíceis.
Como focar no jogo e esquecer árbitro
– Já foi pedido a eles que façam dessa maneira, é um árbitro de extrema qualidade. Pra mim, o Raphael Clauss é o melhor árbitro brasileiro. Fico tranquilo. Não sei quem vai no VAR, mas a preocupação maior é lá no VAR. Jogadores vão estar concentrados em jogar futebol, se preocupando com o jogo. Já foi pedido e será relembrado amanhã.
O que se vê nos jogadores do São Paulo
– O desejo de vencer, de competir o tempo todo, a alegria pela vitória. Eu vivia o clube intensamente, em qualquer jogo, queria estar em todas as partidas. Vejo neles isso, que eles têm prazer em disputar esse título. Temos bom número de vitórias. Tem que ter prazer e alegria. Não adianta você querer a vitória, você tem que estar preparado para ela. Você não se prepara no último dia para vencer, você se prepara no começo de cada semana, da temporada, no pós-jogo. Não se decide vencer. No futebol, se vence pelo que você em cada semana do que você constrói. No dia do jogo todo mundo quer vencer. O Abel falou que todo mundo reza, pede a Deus para vencer. Basta ver quem se prepara melhor e quem tem melhor qualidade.
Eder preservado no treino
– As trocas não me preocupo, são padrões. Hoje ele fez a primeira parte do trabalho, preferimos segurar pra que ele tivesse mais tempo de preparação pra analisar amanhã se é viável começar com ele.
Evolução rápida do time
– Acho que dois meses é tempo curto pra melhorar bastante, mas não tínhamos outra possibilidade. Ou havia melhora ou não estaríamos aqui falando desse jogo. Nos primeiros jogos não produzimos chances de gol, não conseguimos ser efetivos. A melhoria fez com que a gente estivesse aqui. É uma melhora rápida, acho que até quando começou o campeonato, mesmo nas melhores condições, pouca gente esperava o São Paulo na final. Pelo que foi o final do ano passado, as primeiras partida desse ano, era pouco esperado. Mérito dos atletas, que entenderam. É por eles que o clube se encontra hoje nesse momento.
Tempo no São Paulo
– Pra mim, hoje, as quatro forças são cinco. E um dos trabalhos mais longevos, se não me engano, é o do Bragantino, que não está na final. Eu me dou o direito de considerar pelo futebol praticado, tenho que colocar entre os cinco. Chegam São Paulo e Palmeiras, como poderiam chegar Bragantino e Corinthians, não seria nenhuma surpresa. Sobre a parte física, destacar a juventude de alguns jogadores, a liderança, recuperação do Eder, chegada do Rafinha, novos jogadores colaboram, o amadurecimento de alguns que já estavam aqui, o Diego é um caso claro disso. Acho que passa por cada setor, contratações, jovens e os que estavam sem confiança, meio que encostados, voltam a falar e a ter confiança.
Vai brigar por coisas grandes no ano?
– Eu vim com objetivo para cá, e comecei esse ano com objetivo, que é fazer o São Paulo voltar à Libertadores. Campeão brasileiro? Acho difícil. Copa do Brasil? Não é fácil. Ainda não estamos prontos, podemos crescer no decorrer do ano. No momento ainda não. Vejo como objetivo levar o São Paulo à Libertadores, essa é minha missão. O que eu tenho como ideia para o São Paulo, ver o São Paulo disputando a Libertadores, seria o que o meu planejamento mostra como ponto futuro. Se um título paulista vier, ótimo, se der para brigar por final em outras competições, legal. Eu foco no Campeonato Brasileiro, os outros são ramificações, que em determinado momento, a não ser campeão ou vice, vão ficando pelo caminho. Foco tem que ser na competição de longa duração. O restante, não que você não queira, mas são situações que mudam do dia para noite.